Comparação
28 de Março de 2025
Bom dia,
Enquanto me distraía nas redes sociais, me deparei com um texto sobre como a vida dos nossos pais e avós era melhor aos 30 anos.
Segundo esse post, nessa idade eles já tinham casa, carro, sustentavam a família com apenas um dos dois trabalhando e ainda conseguiam ter uma empregada doméstica.
Vou analisar essa afirmação segundo o meu ponto de vista, considerando a minha infância e adolescência, na geração dos meus pais, que usufruíam de todas essas coisas mencionadas acima.
Meus pais, aos 30 anos, tinham dois filhos. Eu já estudava em escola particular, e meu irmão era um bebê. Eles tinham empregada porque minha mãe também trabalhava fora. Ambos tinham carro, e morávamos em um apartamento próprio.
Mas o que a geração atual ignora é como essa estrutura era mantida.
Naquela época, comer fora era reservado para ocasiões especiais. Pedir comida em casa? Apenas pizza — e, olhe lá, uma vez por mês. Nos finais de semana, almoçávamos na casa de amigos, onde as mães ajudavam na cozinha e os pais faziam churrasco.
O lazer era simples: visitar parentes em cidades próximas ou viajar nas férias sempre para o mesmo lugar e sempre de carro. Minha primeira viagem de avião só aconteceu aos 16 anos.
E aqui entra um ponto importante: a geração anterior acumulava patrimônio de maneira diferente. O foco estava em construir estabilidade, enquanto hoje gastamos mais com experiências e conveniências. Isso não significa que um tempo era melhor que o outro, mas que as prioridades mudaram — e, por consequência, estamos comparando coisas diferentes.
Hoje, Enzo e Valentina estão lendo este texto em um smartphone que custa o valor da entrada de um carro, enquanto reclamam da falta de oportunidades. As comparações não funcionam. As nossas oportunidades são melhores do que as deles.
Naquela época, expor a si mesmo ou ao próprio negócio de maneira ampla envolvia segundos caríssimos na TV ou um volume limitado de caracteres no jornal. Hoje, com um smartphone, qualquer um pode divulgar seu negócio quantas vezes quiser, com textos, vídeos e imagens. Hoje, só não tenta empreender quem não quer — ou quem entendeu que tudo bem empreender dentro da empresa de alguém. Pois dignidade é ganhar dinheiro honestamente. Seja como for.
Então, te deixo com essa reflexão: quais comparações injustas você tem feito? Seja com um amigo, um vizinho ou uma geração inteira. E se, em vez disso, você usasse esse tempo para buscar conhecimento, melhorar sua relação com o dinheiro ou simplesmente aproveitar mais os momentos com quem gosta?
O café está servido. Até a próxima.