Finanças e casais: confiança, diálogo e proteção
15 de Novembro de 2024
Bom dia,
O café está servido. Quero trazer um tema polêmico. Eu já tinha feito um esboço desse texto, mas desisti de trazer. À luz de uma conversa que tive esta semana, o assunto surgiu novamente. Pensei: estou convencida, preciso falar sobre isso.
O tema é confiança e delegar assuntos importantes. Mais especificamente finanças, já que este, ainda é o principal tema destas newsletters.
A primeira situação que me fez esboçar esse tema foi um almoço com duas mulheres maravilhas, daquelas que cuidam da casa, dos filhos e magicamente também estão à frente de negócios de sucesso.
Ambas tem algo em comum além das questões acima: passaram por divórcios complicados. Me contaram pormenores em relação às questões financeiras que deixariam muitos de vocês espantados.
Já hoje, em uma conversa diferente, uma pessoa comentou comigo que, ouviu da boca de um diretor de instituição financeira, que só deixava seus investimentos em uma única classe de ativos, que não fariam parte da partilha em caso de divórcio. Isso não é inteiramente verdade, mas assunto para outro momento.
As situações mencionadas trazem a tona algo importante: seja ativo na gestão do seu patrimônio. Você pode delegar funções, mas conheça e confie na pessoa para quem está entregando esta atividade.
Mais do que confiar, acompanhe a execução, aprenda o suficiente para entender em que o dinheiro está investido e quais os riscos envolvidos. Você não precisa se tornar um especialista, apenas saber conversar sobre o tema com os demais envolvidos.
Se possível, tenham contas separadas. No casamento muitas coisas já são comuns. E é assim que deve ser, porém ter contas separadas é até uma forma de proteção dos cônjuges. E pode até trazer alguns benefícios simples mas que são frequentemente esquecidos, como dupla proteção oferecida pelo FGC.
Eu sou adepta da ideia de que casamos para não separar e que devemos confiar no outro. Mas existem tantas histórias cabeludas por aí, que me fazem pensar no quanto é importante estarmos preparados para situações difíceis.
Durante a pandemia, o pai de um amigo teve Covid e precisou ser hospitalizado e entubado. Enquanto esteve nesta situação, sua mãe não conseguia pagar as contas da casa e nem mesmo fazer compras de supermercado. Pois não tinha acesso às contas e ao dinheiro. Teve que contar com a ajuda dos filhos.
Além disso, por mais incrível que seja a pessoa ao seu lado, ele ou ela não são imortais. Por isso é preciso estar preparado para assumir as rédeas da vida, da família, das contas. E uma pessoa desinformada e desesperada será vítima fácil de profissionais com má índole.
Embora os exemplos usados para construir este texto estejam muito focados no público feminino. Os homens podem tomar a iniciativa e incentivar suas parceiras, a ser parte mais integrante da rotina financeira da família. Eu inclusive conheço mais de um casal, onde é a mulher quem cuida das finanças da família. Em uma delas, ele, o marido fala abertamente em um tom bem humorado que ela é a CFO (diretora financeira) da casa.
Conversem abertamente sobre dinheiro, sobre planos, sonhos, sucessão. Deixem os tabus sobre dinheiro para fora da porta de casa. Recentemente, conversei com um casal jovem que estava enfrentando alguns problemas. Minha sugestão para eles foi: façam uma noite de prestação de contas. Abram um vinho, falem sobre as finanças, negócios, investimentos e os sonhos.
E na sua casa, como é a divisão de responsabilidades quando o assunto é finanças? Que tal aproveitar o feriado para falar sobre este tema?
Até o próximo café.